domingo, 20 de março de 2016

Aeroporto Internacional, Mumbai, Índia



Existir é estar relacionado com as tarefas mínimas, com o acto de calçar os sapatos de manhã e os descalçar à noite. Eu existo porque aperto os botões da camisa (...)

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - terceira conferência.

Fundação Champalimaud, Lisboa


(...) Ninguém diz a palavra "vem" a um pobre...

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - primeira conferência.

Goa, India


Claro que mesmo o chão mais alto nunca é tão alto como o céu. O céu mais baixo é mais alto do que o chão mais alto. E terá de ser assim. O chão que seja mais alto que o céu passa a ser céu, e vice-versa.

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - primeira conferência.

Templo de Hanuman, Hampi, India


Tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida.

Arnold Toynbee

Arrozais, Hampi, Índia


(...)
Nos arrozais morre a chuva noutra água há-de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para quê ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão
(...)

Carlos Tê in "Deixem passar a monção"

Mysore, India


Sobre a Construção de Obras Duradouras 

Quanto tempo 
Duram as obras? Tanto
Quanto o preciso para ficarem prontas.
Pois enquanto dão que fazer
Não ruem.

Convidando ao esforço
Compensando a participação
A sua essência é duradoura enquanto
Convidam e compensam.

As úteis
Pedem homens
As artísticas
Têm lugar para a arte
As sábias
Pedem sabedoria
As destinadas à perfeição
Mostram lacunas
As que duram muito
Estão sempre pra cair
As planeadas verdadeiramente em grande
Estão por acabar.

Incompletas ainda
Como o muro à espera da hera
(Esse esteve um dia inacabado
Há muito tempo, antes de vir a hera, nu!)
Insustentável ainda
Como a máquina que se usa
Embora já não chegue
Mas promete outra melhor.
Assim terá de construir-se
A obra pra durar como
A máquina cheia de defeitos.

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'

Museu Gandhi, Madurai, Índia



"Os Sete Pecados Sociais"

1- Politica sem Princípios
2- Riqueza sem Trabalho
3- Prazer sem Consciência
4- Conhecimento sem Carácter
5- Comercio sem Moralidade
6- Ciência sem Humanidade
7- Adoração sem sacrifício.

Gandhi in "Young India"

Madurai, India


Madurai

En el bar del British Club 
-sin ingleses, soft drinks-
Nuestra ciudad es santa y cuenta
me decía, apurando su naranjada,
con el templo más grande de la India
(Minakshi, diosa canela)
y el garage T.S.V. (tus ojos son dos peces)
el más grande también en el subcontinente:
Sri K. J. Chidambaram,
yo soy familiar de ambas instituciones.
Director de The Great Lingam Inc.,
Compañía de Autobuses de Turismo.

Octavio Paz

Thekkady, Kerala, India.


I have to die a little
Between each murderous thought
And when I’m finished thinking
I have to die a lot

Leonard Cohen

Varkala Beach, Kerala, India.


As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.

Franz Kafka

Thiruvananthapuram, Kerala, India.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Varkala Beach, Kerala, India.


Os homens jamais conseguirão derrubar um edifício que não chegou a ser construído.

Gonçalo M. Tavares in "Aprender a rezar na era da técnica"

sábado, 13 de junho de 2015

Rio Paivô, Serra de Arada



Som
frio.
.
Rio
Sombrio.
.
O longo som
do rio
frio.
.
O frio
bom
do longo rio.
.
Tão longe,
tão bom,
tão frio
o claro som
do rio
sombrio! 

Cecília Meireles, Rio na sombra

Coimbra, Universidade


Ora atendam bem: o açúcar é um sal. Todo o sal é desidratante. O açúcar é o mais desidratante de todos os sais: suga através das veias os líquidos do sangue; daqui a coagulação, em seguida a solidificação do sangue; daqui os tubérculos no pulmão; depois a morte. É por isso que a diabetes confina com a tísica. Portanto não chupem açúcar e viverão.

Victor Hugo in "Os Miseráveis" 1862

O "Fim do Mundo" - Aldeia de Vaqueirinho


Nós vivemos no meio de uma terrível sociedade. O bom êxito é tudo, eis o ensino que, gota a gota, vai escorrendo da ladeira da corrupção.
Abominável coisa é o êxito, seja dito de passagem. A sua falsa parecença com o merecimento ilude os homens...

Victor Hugo in "Os Miseráveis" 1862

Barrinha de Esmoriz


Na berma da estrada há sempre animais mortos e junto à estrada há sempre vedações. A terra pertence sempre a alguém, apesar de, na verdade, suceder exactamente o contrário: as pessoas é que pertencem à terra.

Victor Hugo in "Os Miseráveis"


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Praia de Esmoriz


Os sonhos voam como as traças e põem ovos nos móveis, nas roupas, nas ombreiras das portas, em todo o lado. E desses ovos nascem mais sonhos, que são como as traças que põem ovos em todo o lado

Afonso Cruz in "Jesus Cristo bebia cerveja"

sábado, 29 de novembro de 2014

Praia de S Pedro de Maceda


Nunca me canso de olhar para o céu, porque é dos poucos lugares onde o homem ainda não consegue mexer.

Carlos A. Carneiro in "Nunca é Tarde"

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ria de Aveiro


Quando se ama já não se ama ninguém

Marcel Proust in "Em Busca do Tempo Perdido"

serra da Lousã


PÉRGOLA

Assim despida rente ao mar
só de longe em longe se

vêm enredar em cada uma
das suas colunas as flores

brancas da espuma

Jorge Sousa Braga in "Porto de Abrigo"

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Árvore na serra da Lousã...


FIM

- Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos berros e aos pinotes -
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas.

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andalusa:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro...

Mário de Sá Carneiro

Porto, Companhia Portuguesa do Cobre


A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada.

Allan Kardec

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Castanheiros milenares, Serra de Arada, Portugal


(...) quando eu estiver para morrer não me tragam um padre, não permitam que me toque ou se ponha a rezar ao pé de mim. Quando eu morrer quero garantir que não vou para o céu."

Valter Hugo Mãe in "A Máquina de fazer Espanhóis"

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cerejeira em flor, Talasnal, Lousã, Portugal


(...) a humanidade inventa deus porque não acredita nos homens.

Valter Hugo Mãe in "A Máquina de fazer Espanhóis"

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Companhia Portuguesa do Cobre, Porto


PORTUGAL

Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns eletrochoques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiros dos Jerónimos a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
como me pude eu apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

Jorge Sousa Braga in "De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu".

Companhia Portuguesa do Cobre, Porto


A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada.

Allan Kardec

sábado, 13 de setembro de 2014

Mesquita Sheikh Zayed, Abu Dhabi


João Lucas Marcos Mateus tinha as mãos cheias de alfaces plantadas e de açoites nos cães. Os nós dos seus dedos pareciam os cotovelos de Isabel e o cheiro que trazia era como o de Deus. Deus cheira a touro, a terra e ao ventre das coisas.

Afonso Cruz in "Jesus Cristo bebia cerveja"

S Jacinto, Portugal


Os livros são criados por letras sagradas. Tal como o são os anjos. há quem diga. Deste ponto de vista, através da janela da Cabala, digamos, um anjo não é mais do que um livro a que foi dada a forma celeste... a que foram dadas asas (...)

Richard Zimler in "O último cabalista de Lisboa"

Serra de Arada, Portugal


A nascente desaprova quase sempre o itinerário do rio.

Jean Cocteau

Londres, Canary Wharf


O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. Não dói, não descora, não abate – mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma. 

Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

Boca do Rio, Almádena


Caravana


A violência é o alimento e a bebida dos traiçoeiros.

Richard Zimler in "O último cabalista de Lisboa"

domingo, 7 de setembro de 2014

Sagres, Porto da Baleeira


“Que infelicidade. Os dias esticam e ficam mais longos, o relógio diz que não, mas, com licença, o que sabem os relógios sobre a alma humana? Não sabem nada, Alá me perdoe. O tempo demora mais a passar, muito mais, é assim que se sofre. Quando se está feliz esse mesmo tempo passa a correr, parece que vai atrasado para uma festa, mas, se vê uma lágrima, pára e fica a ver o acidente, dá voltas à nossa desgraça e não anda para a frente como os relógios dizem que ele faz.”

Afonso Cruz in "Para onde vão os guarda-chuvas"

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Lalibela, Etiópia


(...)
I think that I shall never see
A poem lovely as a tree.
(...)

Joyce Kilmer in "Trees"