terça-feira, 6 de junho de 2017

Praça de S Pedro, Roma


Sinto que se abusa da realidade. Alguém parece estar continuamente a trazer pelas linhas de caminho de ferro carregamentos gigantescos de realidade, como se esta tivesse mesmo um peso, fosse feita de um material concreto, e alguém, uma instituição de origem e fins desconhecidos, estivesse encarregado de manter os fornecimentos.

Gonçalo M. Tavares in "Uma menina está perdida no seu século à procura do pai"


Campus Universitário, Viena, Austria.


A universidade desenvolve todas as capacidades, inclusive a estupidez.

Anton Tchekhov

Cabo da Roca, Sintra, Portugal.


No ponto mais ocidental do continente europeu. 

Testes com a camara PinShot AE 6×12 Panoramic Prototype by Rudolph Crane

Parque Eduardo VII, Lisboa, Portugal.


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Parque Eduardo VII, Lisboa, Portugal.


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Mannheim, Alemanha


O homem prático pede que o avisem quando alguma coisa muda. Um poeta como Auden, ao contrário, insiste em avisar o mundo de que algumas coisas não mudam e que esse é, afinal, o seu fascínio.

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - quinta conferência.

Canary Wharf, Londres.


O incógnito é um oceano. Que é a consciência? É a bússola do incógnito.

Victor Hugo in "Os Miseráveis"

Almeida, Portugal


Todos queriam segurança mas ainda faltava sentirem-se mais ameaçados.

Gonçalo M. Tavares in "Aprender a rezar na Era da Técnica"

Lisboa, Fundação Champalimaud.


Poderemos dizer que a cidade é tão aborrecida que tem horários para cada som. Numa cidade divertida um cego nunca saberia as horas exactas. Mas porque a cidade não é divertida: ele sabe.

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - primeira conferência.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Lisboa, Fundação Champalimaud.


Já mais rarefeito mas ainda em estado sólido, senta-se na sua poltrona, pousa a lata que carrega consigo, abre um livro como quem abre um vinho e ouve um bocadinho da aritmética de um compositor qualquer, alemão ou francês ou russo.

Afonso Cruz in "Jesus Cristo bebia cerveja

domingo, 8 de maio de 2016

Almeida, Portugal



Não é fácil ser indicio, diremos. Porque se o indício é mínimo de mais, então é nada, e se o indício é evidente de mais então é uma coisa e não a promessa dessa coisa. Ora, um indício é a promessa sussurrada de algo que estará para vir. Ou de algo que acabou de sair. Não se sussurra aos gritos e sussurrar não se confunde com mudez.

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - segunda conferência.

domingo, 20 de março de 2016

Aeroporto Internacional, Mumbai, Índia



Existir é estar relacionado com as tarefas mínimas, com o acto de calçar os sapatos de manhã e os descalçar à noite. Eu existo porque aperto os botões da camisa (...)

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - terceira conferência.

Fundação Champalimaud, Lisboa


(...) Ninguém diz a palavra "vem" a um pobre...

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - primeira conferência.

Goa, India


Claro que mesmo o chão mais alto nunca é tão alto como o céu. O céu mais baixo é mais alto do que o chão mais alto. E terá de ser assim. O chão que seja mais alto que o céu passa a ser céu, e vice-versa.

Gonçalo M. Tavares in "O Senhor Eliot e as conferências" - primeira conferência.

Templo de Hanuman, Hampi, India


Tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida.

Arnold Toynbee

Arrozais, Hampi, Índia


(...)
Nos arrozais morre a chuva noutra água há-de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para quê ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão
(...)

Carlos Tê in "Deixem passar a monção"

Mysore, India


Sobre a Construção de Obras Duradouras 

Quanto tempo 
Duram as obras? Tanto
Quanto o preciso para ficarem prontas.
Pois enquanto dão que fazer
Não ruem.

Convidando ao esforço
Compensando a participação
A sua essência é duradoura enquanto
Convidam e compensam.

As úteis
Pedem homens
As artísticas
Têm lugar para a arte
As sábias
Pedem sabedoria
As destinadas à perfeição
Mostram lacunas
As que duram muito
Estão sempre pra cair
As planeadas verdadeiramente em grande
Estão por acabar.

Incompletas ainda
Como o muro à espera da hera
(Esse esteve um dia inacabado
Há muito tempo, antes de vir a hera, nu!)
Insustentável ainda
Como a máquina que se usa
Embora já não chegue
Mas promete outra melhor.
Assim terá de construir-se
A obra pra durar como
A máquina cheia de defeitos.

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'

Museu Gandhi, Madurai, Índia



"Os Sete Pecados Sociais"

1- Politica sem Princípios
2- Riqueza sem Trabalho
3- Prazer sem Consciência
4- Conhecimento sem Carácter
5- Comercio sem Moralidade
6- Ciência sem Humanidade
7- Adoração sem sacrifício.

Gandhi in "Young India"

Madurai, India


Madurai

En el bar del British Club 
-sin ingleses, soft drinks-
Nuestra ciudad es santa y cuenta
me decía, apurando su naranjada,
con el templo más grande de la India
(Minakshi, diosa canela)
y el garage T.S.V. (tus ojos son dos peces)
el más grande también en el subcontinente:
Sri K. J. Chidambaram,
yo soy familiar de ambas instituciones.
Director de The Great Lingam Inc.,
Compañía de Autobuses de Turismo.

Octavio Paz

Thekkady, Kerala, India.


I have to die a little
Between each murderous thought
And when I’m finished thinking
I have to die a lot

Leonard Cohen

Varkala Beach, Kerala, India.


As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.

Franz Kafka

Thiruvananthapuram, Kerala, India.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Varkala Beach, Kerala, India.


Os homens jamais conseguirão derrubar um edifício que não chegou a ser construído.

Gonçalo M. Tavares in "Aprender a rezar na era da técnica"

sábado, 13 de junho de 2015

Rio Paivô, Serra de Arada



Som
frio.
.
Rio
Sombrio.
.
O longo som
do rio
frio.
.
O frio
bom
do longo rio.
.
Tão longe,
tão bom,
tão frio
o claro som
do rio
sombrio! 

Cecília Meireles, Rio na sombra

Coimbra, Universidade


Ora atendam bem: o açúcar é um sal. Todo o sal é desidratante. O açúcar é o mais desidratante de todos os sais: suga através das veias os líquidos do sangue; daqui a coagulação, em seguida a solidificação do sangue; daqui os tubérculos no pulmão; depois a morte. É por isso que a diabetes confina com a tísica. Portanto não chupem açúcar e viverão.

Victor Hugo in "Os Miseráveis" 1862

O "Fim do Mundo" - Aldeia de Vaqueirinho


Nós vivemos no meio de uma terrível sociedade. O bom êxito é tudo, eis o ensino que, gota a gota, vai escorrendo da ladeira da corrupção.
Abominável coisa é o êxito, seja dito de passagem. A sua falsa parecença com o merecimento ilude os homens...

Victor Hugo in "Os Miseráveis" 1862

Barrinha de Esmoriz


Na berma da estrada há sempre animais mortos e junto à estrada há sempre vedações. A terra pertence sempre a alguém, apesar de, na verdade, suceder exactamente o contrário: as pessoas é que pertencem à terra.

Victor Hugo in "Os Miseráveis"


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Praia de Esmoriz


Os sonhos voam como as traças e põem ovos nos móveis, nas roupas, nas ombreiras das portas, em todo o lado. E desses ovos nascem mais sonhos, que são como as traças que põem ovos em todo o lado

Afonso Cruz in "Jesus Cristo bebia cerveja"

sábado, 29 de novembro de 2014

Praia de S Pedro de Maceda


Nunca me canso de olhar para o céu, porque é dos poucos lugares onde o homem ainda não consegue mexer.

Carlos A. Carneiro in "Nunca é Tarde"

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ria de Aveiro


Quando se ama já não se ama ninguém

Marcel Proust in "Em Busca do Tempo Perdido"

serra da Lousã


PÉRGOLA

Assim despida rente ao mar
só de longe em longe se

vêm enredar em cada uma
das suas colunas as flores

brancas da espuma

Jorge Sousa Braga in "Porto de Abrigo"

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Árvore na serra da Lousã...


FIM

- Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos berros e aos pinotes -
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas.

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andalusa:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro...

Mário de Sá Carneiro

Porto, Companhia Portuguesa do Cobre


A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada.

Allan Kardec